epifania

Tive outro dia uma epifania. Ou quase. Na iminência de completar 65, descobri, num lampejo, que não cresci além dos 5. Afirmação algo redundante, pois quem me vir, verá, sem equívoco. Nada de mais, nada de menos. Mas fiquei feliz ao saber, agora que o viver dá vez e vezo à vetustez, e lucidez e maluquês se entremesclam, ou misturam, pegando carona com o terrícola extratosférico das raízes e seixos, o tal do Seixas, Raul.
Mas a questão da epifania, mais que um insight, é que o conhecimento só o é quando formulado em palavras; quer dizer, para que seja por nós apropriado, tomado posse, precisa ser palavreado.
E me lembrei deste poemeu:

por que te queixas
se teus olhos
duas ameixas
eu devoro com os meus?

alter ego

Do alto de sua grande autoridade, preferia ser chamado única alteridade.

paraná

Consegui hoje este palíndromo. Como sempre, o(s) significado(s) vem a reboque da materialidade morfossintática, razão por que nem sempre é muito fácil de depreendê-lo(s). Ei-lo:
MEGA PARANÁ TEM META NA RAPAGEM
Quem quiser proponha algum significado. Obrigado.

o coração (não) mente

a mente mente
o coração não
fosse o mente
e a coração

quando grandemente
a coração não o mente
(b)ela subjugaria ele
e o elo entre ele e ela
cairia do céu vindo pro chão

repalíndromo

sobre o palíndromo algo vago de ontem, consegui fechá-lo deste modo

A TORRE DO ÓDIO DÓRIA JOGA MAGO JAIR O DOIDO O DERROTA

palíndromo

Consegui, hoje, este palíndromo:

A TORRE DO ÓDIO DÓRIA JAIR O DOIDO O DERROTA

Que pode ser resumido neste:

A TORRE DÓRIA JAIR O DERROTA

Como sempre, ou quase, nem sempre se depreende o significado de um palíndromo, já que este é, principalmente, nesta ordem de realização: nível morfológico – gráfico ou (nem sempre…) ortográfico; nível sintático – de construção nem sempre fluida; e, finalmente, semântico – e aqui o suíno fêmea espirala a cauda, quer dizer, o(s) possível(veis) significado(s) fica(m) à espreita de nossa decodificação. Quer dizer, freudianamente dizendo, nas palavras projetamos nossos conteúdos inconscientes. Quer dizer: lemo-los como os podemos ler. Palavras demais, significados demenciais.

Finalizando com o Leminski:

tudo dito

nada feito

fito e deito

ignorância e má-fé

I

Levei algum tempo para entender o que desde muito doutrinadores diziam: o inferno está cheio de pessoas bem intencionadas. Na minha ignorância, não entendia que a asserção se referia, justamente, à ignorância. Esta, mesmo fecundada de boas intenções, raramente produz bons frutos.

Esta reflexão toda decorreu de notícia vista na tv, de que um dado cidadão, querendo engajar-se no combate ao vírus sem nacionalidade, “fabricou” um álcool em gel. Na fórmula, pelo visto bem intencionada, misturou gel lubrificante, álcool combustível de automóvel e, vejam só, água de vaso sanitário. Quer dizer: gel, álcool e água “sanitária” estavam presentes, pelo menos no que se refere à intuição/ignorância verbal do rapaz.

O indivíduo não parecia mal-intencionado; ignorante, porém, e algo oportunista, sim. Entretanto, tivesse conseguido seu intento… quanto dano! Quer dizer: um ignorante, bem intencionado, cheio de iniciativa. Fico imaginando se se tratasse de um indivíduo lúcido, mal-intencionado e, pois, cheio de iniciativa. Não é um filme já visto algures e alhures?