hipérbole

 

A hipérbole é um exagero na linguagem, exagero necessário à expressão de algum pensamento que ficaria aquém do que se pretendia. Quer dizer: exagerar é preciso; viver, também.

Esse truísmo verbal decorre da tal pandemia que deixou, felizmente, de se tornar um pandemônio (deixou…?…!). Quer dizer: não! Pelo menos quando era apenas uma epidemia. Já, pandemia… Quando se trocou o prefixo “epi”, perto, por “pan”, geral, universal, a coisa ficou do capeta, um pandemônio, termo criado pelo poeta inglês John Milton, no poema Paraíso Perdido, para designar a indesejável confusão entre pessoas e coisas etc.

Mas o texto vem a propósito de que a tal “-demia” chegou aos poucos e, crescendo, deixou todos loucos (nem todos, creio). Ninguém tinha experiência direta e concreta com o que veio, viu e não vai vencer. Entre a desexperiência e a desesperança há um caminho que jamais vai ser vencido. E a esperança é de que esta experiência sirva para lidar com as outras “demias” que sempre estão a surgir.

in-verso

(in)verso

 

o verso mata:

se bom, a pau;

se mau, a Poe.

 

ou o inverso…!..?

PENSAMENTES

PENSEMENTES

Hoje, alguns pensantes:

Se de perto ninguém é normal, o normal é ser anormal.

Todo poder tem algo de usurpação.

Quem está vivo não é inocente.

O medo da morte é quase um pecado, um insulto ao universo, o anverso de Deus, se Este existe.

Em terra de egos, todo mundo é cego.

Não há nada mais espiritual que um rosto, nem mais sobrenatural que a própria vida.

A ironia da vida é que você nasceu para temer o seu término. Quer dizer: ter pra ter medo de não ter.

Se me apego a mim, é meu fim; se a ti, é meu mim. Portanto, meu mim e teu ti é só fim.

Quando estou a fim, meu fim está próximo.

O maior mistério da vida é a morte, mister de amor-te, amar-te, arte, ar-te, te, e…

 

sincronicidade?

Anteontem estava eu produzindo o palíndromo a seguir, quase a prever o horrendo evento no Líbano. Ei-lo:

A MOÇA LIBANESA LÊ SE PAZ ELE BATER PRETA BELEZA PÉ SELA SE NÁBILA COMA

Como sempre, o(s) significado(s) do palíndromo vem (vêm) a reboque da construção verbal pronta (pronta?). Por isso, quem consiga um significado para esse palíndromo talvez possa propô-lo.

alternativas

Pra quem não sabe, o substantivo alternativa deriva de “alter”, outro em latim. Daí ser redundante dizer “outra alternativa”. Por outro lado, “única alternativa” é contrassenso, pois, se única, não é outra e, se outra, não é única. Daí propormos a seguinte proposição:

 

contrassenso:

só eu – única alternativa

 

redundância:

só tu – outra alternativa

 

bom-senso:

só nós – ambas alternativas

 

Operação lava o quê?

O que me traz hoje aqui é o interesse meramente linguístico da designação que atribuíram à famosa operação que precipitou a atual configuração política do País. Não vou discutir a importância dos aspectos morfossintáticos aí implícitos, já que o pragmatismo das premências midiáticas amiúde precisa (?) passar ao largo de tais preocupações. Explicitamente: o desconhecimento de regras gramaticais não pode servir de freio ao andamento dos acontecimentos; não pode nem deve, obviamente.

Mas feliz ou infelizmente as coisas aconteceram do jeito que aconteceram. O julgamento da história terá o seu dizer. Dito isso, vamos ao que nos interessa: como designar e, por conseguinte, grafar a tal operação de gênese curitibana?

Ao que consta, a tal designação decorreu do fato de que a investigação em pauta se referia a um posto de gasolina que oferecia serviços de lavagem de carro “a jato”. A grafia original do tal serviço deveria ser, e não sabemos se o foi, “lava a jato”, desde que a locução adverbial “a jato” se refere ao modo de lavar. Observe-se ainda que “a jato” deixa implícito se se trata de jato de ar, de água, de areia, etc., e, ao que tudo indica, sempre se refere a jato de água. Note-se também que o substantivo, substituído pelo verbo, poderia ser lavagem, pintura, secagem, etc.

Finalizando esta quase-catarse, a grafia correta deve(ria) ser “lava a jato”, quer dizer: Operação Lava a Jato. Alea jacta est.

o erro os (p)uniu

Todos os grandes cientistas cometeram erros. Einstein, Newton, Etc., Etc. E Etcétera… Et coetera. É claro: erram humanos! E depois comeram os erros que cometeram. E os digeriram. E então cagaram pérolas. E as atiraram a todos os poucos que conseguiram vê-las, com ou sem velas, e comê-las. É claro: esses eram parcos, não porcos. Por isso, atire suas pérolas aos porcos, porque, se as comerem, podem passar mal e morrer de indigestão intelectual.

Enfim e em fim: todo erro é perdoável; menos este mesmo. kkk

Em tempo: pérolas, aqui, obviamente, óbvia mente, espero, não em sentido irônico, meramente arquitetônico.